SONHO
Sonhei – nem sempre o sonho é coisa vã –
Que um vento me levava arrebatado,
Através d´esse espaço constelado
Onde uma aurora eterna ri louçã…
As estrelas, que guardam a manhã,
Ao verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me e diziam com cuidado:
Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?
Mas eu baixava os olhos, receoso
Que traíssem as grandes mágoas minhas,
E passava furtivo e silencioso,
Nem ousava contar-lhes, às estrelas,
Contar às tuas puras irmãzinhas
Quanto és falsa, meu bem, e indigna d´elas!
Antero de Quental
18/04/1842 – 11/09/1891

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